Elixir dois em um.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

79 anos. 79 longos anos. Há 50 tentando desenvolver aquela fórmula. 50, 50, 50 anos. Essa era apenas mais uma tentativa, ele não tinha muitas esperanças, como ele não teve nas outras 6548 tentativas. 6549 não era um número importante e provavelmente ele erraria e acabaria matando mais um rato. Falando nisso, estava ficando sem ratos. Depois de tanto tempo parou de dar preferência aos brancos, de laboratório, eram caros. Agora ele comprava os primeiros que via. Uma vez tentou até mesmo porquinhos-da-índia, ganhou de uma mulher italiana com quem saia, não deu muito certo. Tanto com os porquinhos quanto com a italiana. Ele não era muito fã de mulheres, elas enxiam o saco dele e ele tinha que parar de estudar para fazer coisas chatas como jantares à luz de velas e sexo...

Começou a colocar a mistura na garrafa, também não tinha mais tubos especiais para experimentos, usava garrafas de Vodca, bebia bastante. Tomou uma tonalidade azul, depois amarela, depois roxa, e por fim verde. Então ficou brilhando constantemente, mudando de cor toda hora, como em flashes. Estranho, nunca havia ficado assim. Ele pensou que havia feito uma nitroglicerina super potente, ou alguma outra coisa que machucasse pra dedéu, e deixou cair, acidentalmente uma gota encima de uma planta quase morta que ganhou de uma alemã com quem não se deu muito bem. A planta ficou mais bonita, diferenciando-se das outras.

Será que havia conseguido? Estava nervoso como nunca estivera em bons anos. Colocou mais sobre a planta. Ficou totalmente nova. Estava estupefato, não podia acreditar, começou a gritar "Porra, consegui, porra!". Então começou a dançar frenéticamente com a garrafa de Vodca, cantarolando Light My Fire com uma voz de quem não dormia há muitos dias. De fato ele não dormia.

Então, em um momento de loucura, levou a garrafa à boca. Manteve o líquido suspenso no gargalo, não estava pronto para aquilo, não podia acreditar que voltaria a ser jovem e teria a imortalidade, os dois em um! Sim, ele contrapôs o mito de que só existe um ou só existe outro. Quem liga para elixir da longa vida? Quem liga para a pedra filosofal? Ele tinha o elixir dois em um só para ele! Ainda cantarolando, levou a garrafa de Orloff à boca mais uma vez e engoliu todo o líquido, da cor de uma "trip" de LSD setentista.

Sentiu seu estômago borbulhar. Via tudo ficar cada vez mais alto, aproximando-se do chão cada vez mais. Não se lembrava de ser menor quando mais novo, pelo contrário, lembrava-se de ser maior. então viu-se em um súbito choro incontrolável, não podia segurar de modo algum. Ouvia sua própria voz que assemelhava-se a de um bebê. "PORRA! ERREI A FÓRMULA" pensou, mas não pôde proferir uma palavra, estava preso naquele choro de bebê, estava com frio e queria colo. O pior de tudo era que o velho, agora jovem, Arlindo precisava trocar a fralda, havia acabado de se cagar...

Um comentário:

Eduardo Stigger disse...

aiuhsaiuhsauihs

Boa!

Dizem que a velhice é a segunda infância, né?
Me pergunto se o contrário é válido.

:D

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